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23/10/2006 16:16
República das Bananas
Entre o que me enganou e o que não me engana, fico sem opção de votar neste fim de semana
Democracia que utiliza da força para conter protestos estudantis, que estabelece leis que possuem pesos e medidas correspondentes aos zeros das contas bancárias de seus réus, que coloca o cidadão primeiro como bandido e depois como suspeito, que distribui esmola para mais de 100 milhões de brasileiros sem nenhuma política pública de combate a miséria vinculada a estes programas emergenciais, que está estabalecida em um país que perde quase três bilhões de Reais por ano em virtude da corrupção, que cobra a maior carga tributária do mundo e onde os trabalhadores que conseguem escapar dos índices exorbitantes de desemprego tem quatro meses de seu suor convertido em impostos a serem pagos ao governo. Essas são algumas características da democracia nacional brasileira.
Desculpem minha visão catastrofista, mas não consigo enxergar, em nenhum segundo, uma saída para esta vergonha que se tornou meu país. A verdadeira República das Bananas. O que eu vi neste debate eleitoral foi um caminhão de roupa suja sendo lavado publicamente (mas sem muita ênfase porque não teríamos sabão para limpar tudo) e NENHUMA proposta decente e coerente para os problemas que afligem este país.
Quando Lula foi eleito em 2002 prometeu as reformas. Nenhuma veio. Prometeu escancarar os grotões da corrupção em Brasília. Eles foram abertos devido a um erro de cálculo petista e onde o partido estava enfiado até a tampa. Logo o que se intitulava o mais ético do país. O slogam do governo? Brasil, um país para todos. Sempre achei lindo. Agora, no segundo turno, Lula quer dividir o país entre ricos e pobres. Que a escolha nas urnas será essa. Devem estar brincando comigo.
O Alckmin virou Geraldo, mas continua sendo um exemplar picolé de chuchu. Diz que vai lançar um plano para salvar o Brasil e reduzir a taxa tributária. O PT o acusa (num ato desesperado) de privatizar a Petrobrás, aquela mesma que é financiada por nós, brasileiros, e que leva calote dos nossos queridos vizinhos. A única que financia cultura (porque é beneficiada por incentivos fiscais). O tucano poderia até levar as eleições depois do tiro no pé dado pelo partido de seu adversário. Isso se não fosse boicotado pelos próprios aliados. È que eles não possuem lá tanto interesse que Alckmin ou Geraldo, sei lá, vença as eleições e atrapalhe os planos do atual galã do PSDB, Aécio Neves, governador de Minas Gerais. Como bom mineiro, vai comendo quietinho para levar o seu em 2010.
Com esses candidatos e seus respectivos históricos, fica difícil não votar 99 nessas eleições e se abster desta tal festa da democracia que, para mim, está parecendo muito mais um cortejo fúnebre, velando a morte de todas as minhas esperanças em um dia ver este país sendo, de fato, de todos os brasileiros.
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
11/10/2006 17:57
Quando a vida começa a desmoronar...
A vida é realmente uma coisa extraordinária e continua a me pregar peças. Hoje, por exemplo, tudo indicava que o pôr-do-sol não poderia ser contemplado. O dia quente e abafado indicava chuva antes do sol ir-se embora. Eis que o fim da tarde está lindo, com o céu colorido e um cheiro de verão. Me enganei. Mais uma vez.
Outro exemplo e este mais avassalador sobre meu espírito é que, depois de pouco mais de dois anos, estou novamente desempregada. Lágrimas caíram, poucas, mas vieram em virtude de colocações de alguns amigos que ficaram indignados com o revés que passei. Não me sinto injustiçada, pois evito me colocar na posição de juiz. Até porque sou parte integrante do conflito e me seria impossível manter posição isenta.
Até agora, dois dias depois, minha sensação é ainda uma mistura de incredulidade com pasmacidade. E ilustra bem esta predileção da vida em mudar de rumos quando acreditamos navegar em mar calmo. As correntes marítimas de repente se apossam do mar e trazem grandes ondas. Eu, no meu barquinho, vou tentando salvar a vela e conter a fúria das águas para que não perca a embarcação.
O que fazer então? Existem milhares de possibilidades. E, pouco a pouco, vou transformando a realidade vazia em algo cheio de oportunidades. A calmaria do mar nos conforta e nos enche de segurança. Mas é durante as tormentas que podemos descobrir novas rotas. E, até, alcançar portos nunca antes previstos em nosso plano de navegação.
Li algo em um e-mail hoje que ilustra um pouco como me sinto: "Começei a aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança". Será que, finalmente, eu cresci?
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
26/07/2006 16:17
As pessoas estão funcionando em um ritmo forte demais porque esta é uma sociedade civilizada e tudo deve ser feito rapidamente. Tudo é veloz, então há um elemento de tensão sempre presente. Como já disse tantas vezes, tensão não é atenção. Tensão por si mesma produz energia negativa. Atenção é focalizar calma e claramente o que se pode fazer, o que se vai fazer, o que se deve fazer e para o que se evoca e pede a energia para fazê-lo.
Omar Ali-Shah
Enviada por Menina Jornalista Kelli
enviada por Menina Jornalista
14/05/2006 21:33
Onda de violência...
55 mortos, destes, 17 criminosos. 82 bandidos foram presos, 19 ônibus incendiados somente hoje no Estado de São Paulo. E o governador, Cláudio Lembo (PFL), diz que está "tudo sob controle". Eu pergunto: controle de quem????
enviada por Menina Jornalista
24/04/2006 15:50
Sem computador é fod...
Ressurgida das cinzas...
Aqueles que me conhecem sabem o quanto gosto de despejar algumas letrinhas por aqui. São bobagens, na maior parte das vezes, e algumas coisas que encaro como sérias, aqueles comentários indignados e tals, mas que no fundo, no fundo, não passam mesmo de bobagens, que a gente grita quando está com raiva e vai dormir inconformado e sentindo-se impotente frente à certas situações do cotidiano.
O que mais me surpreende, no entando, é que embora as pessoas não tenham o hábito de deixar recados por aqui, a visitação do blog é bem bacana. Mais de uma centena de pessoas dão uma espiadina, plagiando o Bial do Big Brother, todos os meses. Já teve amigos de amigos de amigos que elogiaram o espaço para inflarem meu ego de contentação.
Para esses, que provavelmente estão estranhando o descaso que acomete o blog, eu explico buscando redenção: estou sem computador. Uma realidade muito triste, gostaria de salientar.
Em anos, desde o advento da Internet, nunca havia sentindo tanta falta de um computador como estou agora. É como se houvessem me arrancado um braço, uma parte da boca, sei lá... Sinto-me isolada numa ilha. Horrível.
No mais, a vida está bem. Mais uma vez mudei de trampo. Em quatro meses fiz duas mudanças de emprego, uma de casa e um retorno ao lar da mamis. É por isso que estou encerrando o mês de abril sem saber ao certo quem sou, onde estou e de onde vim. Aceito ajuda para descobrir!
Tinha mais um monte de coisas que eu queria escrever, mas não me lembro...hehehe
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
11/03/2006 15:27
Segue um texto que li no Comunique-se e que achei bastante interessante
Informação é Poder
Pedro J. Bondaczuk (*)
O mundo passa, desde 1956, por uma nova revolução, que está transformando os países que já entraram na etapa do pós-desenvolvimento de uma sociedade industrial para a da informação. Todavia, parcela considerável da humanidade está privada do acesso a essa importante evolução. Os que estão de fora carecem de um requisito básico para se beneficiarem dos milagres da tecnologia deste início de novo milênio: educação.
Mais de um bilhão de seres humanos, o equivalente a toda a população da Índia, por exemplo, não sabem ler e nem escrever e, a despeito de alguns meios de comunicação, como o rádio e a televisão, prescindirem dessa aptidão, eles não têm tirocínio para compreender, em toda a sua extensão, aquilo que lhes é informado.
A tendência para a nova sociedade foi claramente constatada por John Naisbit, em seu livro, que já se tornou clássico, o Megatrends. Logo na introdução dessa instigante obra, o autor constata: Este livro trata de dez transformações importantes que ocorrem hoje em nossa sociedade. Nenhuma é mais sutil, e mais explosiva, creio, que a megamudança de uma sociedade industrial para uma sociedade de informação.
Nenhum setor recebeu tantos investimentos, desde 1956, quanto este. Estão aí os caríssimos e sofisticados satélites, permitindo a existência de uma televisão de caráter mundial. Está aí a telefonia celular, ao alcance, cada vez mais, de um número crescente de pessoas mundo afora. Está aí a rede mundial de computadores, a internet, ocupando, cada vez mais, espaços antes cativos de outros meios de comunicação. Até uma nova disciplina, que é a de maior expansão nos tempos atuais, surgiu, se desenvolveu, prosperou e se consolidou: a Informática. Deter informação, hoje em dia desde que se saiba, lógico, o que fazer com ela é possuir poder.
Por isso, quem não aprecia o saudável cultivo da mente, gastando todo o seu tempo em cultivar, somente, músculos, cabelos ou pele, pode estar se metendo numa bela enrascada, com conseqüências de médio prazo, sem que ao menos se dê conta. Está se auto-excluindo do novo tipo de sociedade em plena formação. Problema de quem age assim, dirão alguns. Discordo! Os ônus dessa atitude acabam arcados por toda a sociedade, privada de cérebros para comandar o desenvolvimento.
E como ficamos nós, brasileiros, em tudo isso, quando nossos governos, seja de que esfera for da municipal à federal investem tão pouco em educação? Quando se utilizam de inúmeros subterfúgios para desviar preciosas (por serem escassas) verbas para outros setores, não tão prioritários, quando não as malbaratam em cínica e criminosa corrupção?
Como ficamos nós, quando o analfabetismo, ao invés de erradicado no País, cresce de forma alarmante (quando levamos em conta os chamados analfabetos funcionais)?
Quando estatísticas são manipuladas ao bel prazer, para tentar provar o contrário? Quando nossa sociedade entende que o problema não é seu? Então, é de quem, dos Estados Unidos, do Japão, da Europa? Claro que não!
Como ficamos nós, quando o nível de ensino, em especial o público que não faz muito era referencial de qualidade, se deteriora ou se conserva arcaico e fossilizado, não satisfazendo, nem de longe, as crescentes exigências do mundo moderno? Quando tanta gente desperdiça fortunas matando o tempo capital mais precioso que um ser humano pode ter, já que a vida não é como um filme ou um vídeo e não tem reprise em diversões que, na maioria das vezes, sequer são divertidas, em detrimento do aumento de seu nível de instrução, de sua cultura e de sua informação? Sim, como ficamos nós?
enviada por Menina Jornalista
09/03/2006 15:31
A nova temporada do trote
Hoje ouvi duas histórias (verídicas, o que não significa que irei propagá-las via Internet, coisa que acontecerá em breve) relativas a telefone. A primeira me foi contada logo pela manhã, enquanto bebia meu cafezinho preto deliciosamente preparado pela Noêmia, que foi quem me contou sobre o novo golpe. Moradora da zona leste paulistana, ela me disse que a nova onda no pedaço é ter seu telefone fixo sendo utilizado por traficantes, bandidos e pés de chinelo afins. Eles puxam a sua linha do poste e a utilizam para fazer ligações para celulares ou outros telefones fixos. A vizinha pegou um neguinho (desculpem, mas negra bonita, foi a expressão que Noêmia utilizou) em cima de sua laje fazendo o que intitularam de diretinha. Portanto, atenção às suas contas telefônicas.
O segundo conto do dia diz respeito a um trote que, pelo menos na família de minha chefe, tem se tornado comuns. Primeiro, a amiga (ou parente, perdoem, mas eu não me apeguei a este detalhe) , grávida de quase nove meses, recebeu uma ligação onde o homem do outro lado da linha dizia que seu marido havia sofrido um grave acidente automobilístico e que ele precisava dos dados do homem para dar entrada no hospital. Desesperada, ela ligou ao marido. Ele estava bem, instalado em seu escritório, trabalhando. O autor do trote ligou de novo. Olha, o moço está muito mal. A resposta foi: Está mesmo, ainda está trabalhando e falando comigo no outro telefone. A história correu de ontem para hoje e quem recebe trote igual? A mãe de minha chefe. O que significa que a brincadeira está se popularizando entre aqueles que não têm o que fazer...
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
07/03/2006 13:00
Comentário pertinente
"Acho que mais até do que um duelo, as relações entre o jornalista e seus personagens, entre o entrevistador e o entrevistado são de preferência um sutil jogo de sedução em que em geral não há inocentes: cada parte tenta manipular a outra".
Zuenir Ventura
enviada por Menina Jornalista
07/03/2006 10:30
Ele tinha razão
Por conta de uma notícia que saiu na capa do Diário de São Paulo, não sei ao certo se durante ou pós Carnaval, sobre uns sopapos que o Kadu Moliterno deu na esposa, eu e uns amigos ficamos teorizando sobre o prazer humano em contemplar desgraças e o fascínio que a violência causa em muitas pessoas. Meu amigo, repórter de polícia, só dizia assim: Tem que ter foto e a cara dela tem de estar bem estragada. Aí, da capa. Pois bem, tinha foto, a moça estava estragadinha e ganhou uma foto em destaque na capa do jornal. Eu indaguei o motivo. Porque ele bateu nela? São casados há anos, possuem três filhos, ele é famoso... A resposta que obtive foi mais ou menos assim: O motivo não importa, foi violento, tem foto, é notícia e vende jornal.
Hoje, enquanto subia de volta à agência depois da pausa para o cigarrinho, dei de cara com três executivos, seus indefectíveis ternos bem cortados e suas pastas de couro, comentando de um site que mostra fotos de acidentes graves. Lembrei-me de meu irmão falando certa vez destas imagens, que ele costumeiramente recebe em seu e-mail, coisa de seu gosto refinado (sintam a ironia, por favor).
Nesse momento me dei conta que o meu amigo, o da foto e da negação dos porquês, o repórter de rua e de desgraça me disse. Fiquei triste por saber que ele tem razão.
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
06/03/2006 14:49
chove e tudo vira um caos
Já dizia o poeta que as chuvas de março fecham o verão. Mas, se o fim da estação continuar trazendo os aguaceiros que tenho visto aqui por São Paulo desde o sábado, não sei se sobrará algo inteiro. A frente fria vinda do Rio Grande do Sul, em contato com o ar quente e seco responsável pelas temperaturas na casa dos 30ºC, trouxe temporais em massa. No sábado fiquei ilhada em um posto de gasolina quase 1h30 por conta do toró. Uma parte do telhado em que eu me abrigava foi arrancado com a ventania, os raios eram seqüenciais e até o boné do frentista saiu voando e acabou sendo arrastado pela correnteza que se formou no meio-fio. Centenas de árvores foram ao chão, pessoas ficaram desabrigadas e não faltou notícia para os colegas de plantão. No domingo o céu amanheceu azul e o sol brivalha forte, a despeito do vento úmido e gelado que insistia em correr, trabalhando para tranformar o dia ensolarado em chuvoso. Depois de muito ensaiar, a chuva forte finalmente caiu no fim da madrugada, por volta das 6h. Conclusão: às 9h a extensão de vias congestionadas chegava ao recorde de 165 km, batendo inclusive o pico máximo atingido em 2005 que foi de 141 km. Se eu tivesse vindo trabalhar de carro teria demorado 1h30 para fazer um trajeto que, sem trânsito, demora menos de 15 minutos, com trânsito moderado meia-hora e com muito trânsito, cerca de 45 minutos. Em 1h30 eu venho a pé, que deve dar isso. De biclicleta deve dar 1h e, de moto, geralmente demora 10 minutos. Hoje demorou o dobro. Será que culpar São Pedro resolve?
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
02/03/2006 14:44
Reflexões pós quarta-feira de Cinzas...
Estou com a cabeça cheia de considerações sobre a morte, a vida, os desejos, a busca constante por paixões, a conquista ou não da felicidade.
Meu tio morreu. Irmão mais velho de minha mãe, passou mal no fim de semana de carnaval e, acometido por um AVC (tipo de um aneurisma) foi enterrado já no domingo, em Andradina, interior paulista, para onde foi sem avisar ninguém.
Minha mãe o escolheu para ser meu padrinho quando fui batizada, antes mesmo que eu aprendesse a falar ou andar. Sua imagem para mim é um rebuscado de informações sobre como não devemos proceder em vida. Filho querido (e quiçá predileto) de minha avó, nasceu como todos os outros seres humanos: repleto de sonhos e desejos.
Lembro-me que queria ser piloto. Tinha várias réplicas de aviões em sua casa. Achei que seria, mas o máximo que conseguiu foi tornar-se motorista. Não que eu esteja desmerecendo seu trabalho, só que tenho em mim uma válvula anticonformismo e considero que as pessoas, com esforço, dedicação, foco e vontade, podem ao menos chegar perto de seus sonhos de infância.
No campo pessoal terá muitas coisas a evoluir. Abandonou mulher e filho movido por paixão. O argumento é válido quando não vem acompanhado de egoísmo em doses cavalares. Aliás, essa facilidade em abandonar as coisas sem maiores explicações perdurou como uma característica irrefutável de seu caráter.
Passei uns dez anos sem vê-lo, toda minha adolescência. Fui reencontrá-lo há pouco, quando acometido por dificuldades financeiras resolveu dar o ar de sua graça. Mais uma vez minha mãe o ajudou, como cristã, como irmã, como alguém que, apesar de tudo, o amava. Essas coisas que me provam a incondicionalidade inerente deste sentimento.
Almoçou comigo um dia, sentia nele um desejo quase que constrangedor em recuperar o tempo perdido. Foi mais um a me dizer o quanto sou parecida com meu avô, do qual tio Fernandinho herdou o nome. Partiu para o interior sem dizer adeus e mais uma vez sem agradecer coisa alguma feita para ele.
Agora acabou. Dele ficou um belo rapaz, primo que amo de paixão, minha madrinha que configura entre as pessoas mais queridas que conheço e o exemplo de uma vida, a meu ver, desperdiçada. Espero apenas que, por alguns instantes, ele tenha encontrado a felicidade.
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
23/02/2006 17:48
Bancos, que mal eu fiz para merecê-los?
Estou inconformada com a cara-de-pau e arbitrariedade com o qual os bancos manipulam meu dinheiro e cerceiam meus direitos. Primeiro, depois de quase um ano de conta corrente aberta no Bradesco, um banco que acabou de bater o recorde de lucratividade (vide matéria no post abaixo), apareceu nos meus extratos R$ 1 mil em crédito. Logo que vi esse valor fiquei injuriada porque ele só serve para me confundir e fazer com que eu acredite que tenho mais dinheiro do que realmente possuo. O fato é que nunca pedi, fiquei no vermelho ou utilizei esse crédito e acreditava que o pior disso tudo era ter aquele valor ali, no meu saldo, me iludindo.
Pois bem. Em janeiro, o banco debitou da minha conta R$ 6,50 referente a tarifa de cartão de crédito. O porém é que eu não tenho cartão de crédito. Em fevereiro, o banco me debitou R$ 22 referente a tarifa de cheque especial. Detalhe: eu nunca tive talão de cheques na vida. Muito menos especial.
Liguei lá. Para cada coisa um atendente diferente repetindo sim senhora, não senhora, ligue em tal ramal, senhora. Parecem robôs idiotas. Primeiro me trasferiram para o setor de cartões de crédito. O atendente tem a pachorra de me perguntar se eu não havia recebido o cartão de crédito na minha casa. Não recebi e mesmo se o tivesse recebido teria de desbloqueá-lo ou os senhores estariam infringindo a lei. Fui muito bem tratada depois disso e em cinco minutos informada que o valor seria depositado em minha conta em dois dias.
Outro atendente, agora pela tarifa mais cara debitada sem meu conhecimento. Aí, foi o ápice da total falta de caráter das instituições financeiras. O valor de R$ 22 é uma das três parcelas de igual valor que eu tenho de pagar por aqueles R$ 1 mil de crédito que eu nunca usei e que apareceram lá. Só que agora me dei conta que mais do que me enganar, ele está ali para o banco me extorquir. Mas quem pediu este crédito? Não fui eu. Pode ficar, não quero. A resposta do atendente foi: A senhora tem de ir até sua agência para cancelar.
Conclusão: Para me darem este crédito eu não preciso nem ser informada. Para me cobrarem por este dinheiro que eu nunca usei, eles debitam automaticamente da minha conta e eu só fico sabendo quando tiro o extrato. Agora, para eu cancelar um serviço que eu nunca solicitei, só indo na minha agência (é, porque aí também não pode ser qualquer uma).
Sinto-me uma idiota e questiono a lógica destes tempos modernos. (É, eu acho mesmo que tenho um problema com a lógica). Os caras fazem o que querem com o meu dinheiro (até hoje não consigo entender um extrato bancário em sua totalidade, tamanho vai-e-vem dos valores), me cobram tarifa mensal por isso e ainda me embutem serviços não solicitados com uma facilidade que eu não encontro na hora de recusá-los.
Assim, mais uma vez sou achacada em meus direitos e literalmente tenho meu dinheiro furtado, primeiramente pelo Estado e depois pelas instituições financeiras, como se isso fosse muito normal. Cadê a decência deste mundo????
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
23/02/2006 17:43
Bancos têm lucro recorde com Lula
Os cinco maiores bancos em ativos com atuação no País engordaram em 28,4% os lucros nos 3 anos do governo Lula comparativamente aos 8 anos da administração Fernando Henrique Cardoso. Juros altos, em razão da política monetária apertada para combater a inflação, associados à forte expansão do mercado de crédito explicam o desempenho espetacular dos bancos no período. Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Santander/Banespa e Unibanco juntos obtiveram lucro líquido de R$ 44,125 bilhões entre 2003 e 2005, segundo cálculos da consultoria Economática a partir dos dados apresentados nos balanços e que foram atualizados pelo Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Só no ano passado, essa cifra somou R$ 18,4 bilhões, a maior em 11 anos. De 1995 a 2002, os lucros líquidos desses mesmos bancos atingiram R$ 34,366 bilhões.
O desempenho do lucro líquido anual desse grupo de bancos também foi invejável na administração do presidente Lula. Entre 2003 e 2005, esses 5 bancos juntos obtiveram lucro líquido médio de R$ 14,708 bilhões a cada ano, mais que o triplo da média dos 8 anos anteriores (R$ 4,295 bilhões).
De toda forma, os balanços mostram que os bancos estabelecidos no País ganham muito mais dinheiro aqui do que em mercados maduros, como dos Estados Unidos, por causa dos juros elevados. O lucro em relação ao patrimônio líquido do Itaú, Bradesco, BB e Banespa supera o dos 5 maiores bancos dos EUA. Quem liderou o ranking em 2005 foi o Itaú, com lucro sobre o patrimônio líquido de 37,6%, seguido pelo Bradesco (36,2%) e pelo Banco do Brasil (29,4%). O melhor resultado obtido por bancos americanos foi o do Citigroup, de 22,2%. (OESP23/02)
enviada por Menina Jornalista
20/02/2006 18:44
Para rir um pouquinho
Bom, depois de ler esta notícia abaixo e ficar atônita, segue algo mais leve para o fim desta segundona.
A imagem abaixo está na capa do jornal Lance de hoje. O Márcio em questão é um amigo meu, que por conta de uma aposta feita em 2004 (de que o Santos não conquistaria o Brasileirão) teve que pagar este baita mico na Vila Belmiro ontem. O detalhe é que ele não gosta do Luxemburgo.
Ta em todas as páginas de esporte dos jornais de hoje. Hahahahaha

Hilário...
enviada por Menina Jornalista
20/02/2006 18:29
Concordo com sua indignação amiga. Como assim pessoas mutiladas é algo normal? Gente! Que mundo é este em que estamos? Pára tudo. Por mais que os rapazes fossem bandidos, traficantes, qualquer coisa. Não é assim que as coisas funcionam e o impressionante é que a população já está considerando isso normal. Daqui a um tempo perderemos quelquer referencial, se as coisas continuarem assim.
Também to passada...
enviada por Menina Jornalista
20/02/2006 16:24
Fiquei passada...
Logo abaixo desta breve introdução está um texto publicado hoje pela Folha de São Paulo. Fiz questão de colocá-lo aqui não em razão do fato de dois jovens negros terem sido deixados numa rua do Rio de Janeiro mutilados e um deles teve a cabeça exposta sobre o capô. Isso foi o que me conduziu a ler a matéria. Achei que o absurdo terminava aí, no fato de que a violência carioca ainda consegue me surpreender. Mas estava enganada. O que mais me chocou na reportagem (e a deixo aqui para dividir meu inconformismo) foi a naturalidade com que estudantes, trabalhadores e senhoras de idade encararam o crime, resumindo-o em coisa normal.
Tráfico expõe jovem decapitado no Rio
ELVIRA LOBATO
da Folha de S.Paulo
Quem passasse ontem pela rua Dionísio Fernandes, no Engenho de Dentro, zona norte do Rio de Janeiro --bairro onde está sendo construído o Estádio Olímpico João Havelange, para o Pan-2007--, não suspeitaria que a rua pacata, de calçamento de pedras e casas antigas, algumas remanescentes do século 19, tinha sido palco de uma cena de horror no início da madrugada.
Perto da meia-noite, quando a atenção dos moradores estava voltada para a transmissão do show dos Rolling Stones, um automóvel Honda Fit foi abandonado na rua, com uma cabeça sobre o capô, e os corpos de dois jovens negros, retalhados a machadadas, no interior do veículo.
A reação dos moradores foi tão chocante como as brutais mutilações. Vários moradores buscaram seus celulares para fotografar os corpos, e os mais jovens riram e fizeram troça dos corpos.
Os próprios moradores descreveram a algazarra à reportagem. "Eu gritei: Está nervoso e perdeu a cabeça?", relatou um motoboy que pediu para não ser identificado, enquanto um estudante admitiu ter rido e feito piada ao ver que o coração e os intestinos de uma das vítimas tinham sido retirados e expostos por seus algozes.
""Ri porque é engraçado ver um corpo todo picado", respondeu o estudante ao ser questionado sobre a causa de sua reação. Uma jovem, também estudante, disse que acompanhou a cena ao lado dos vizinhos, mas que, ao contrario deles, sentiu náuseas.
Segundo os policiais do 26º DP, onde o caso foi registrado, os corpos não foram identificados, e o carro tinha sido roubado no próprio bairro, dias antes. As vítimas seriam moradores da favela Camarista Meier e teriam sido executados pelo Comando Vermelho em razão de dívidas com o tráfico.
Os corpos, segundo os moradores, ficaram expostos por quase quatro horas, até serem levados para o Instituto Médico Legal.
Ninguém da vizinhança ouvida pela reportagem da Folha demonstrou revolta ou surpresa com as mutilações. Os mais velhos disseram ter olhado para a cena sem surpresa, pois a violência se tornou banal na região.
"Cheguei à rua à 1h, vindo do samba, e vi a cabeça em cima do carro, e muitos vizinhos em volta. Fiquei tranqüilo. Essa é uma coisa normal hoje em dia", resumiu um taxista de 40 anos, que também não quis se identificar à reportagem, e que levava o filho de cerca de 10 anos pela mão. Uma senhora de cabelos brancos, que lavava a varanda da casa com uma mangueira, concordou com o taxista. "É normal, é normal", repetiu.
De acordo com moradores, os jovens foram mortos por não terem pago pela droga que consumiram. A exposição da cabeça no capô do carro seria um recado dos traficantes para que outros não fizessem o mesmo.
enviada por Menina Jornalista
13/02/2006 18:54
Mais uma do poder público
Essa eu ouvi no rádio semana passada, fiquei de colocar minha indignação aqui, mas acabou passando. Bom, lembrei hoje. O nosso excelentíssimo prefeito José Serra quer dar concessão a empresas privadas para que administrem as marginais. Ou seja, para que mantenham o asfalto de duas das mais importantes vias da cidade em perfeitas condições. O que os empresários ganharão com isso? O arrecadado em pedágios ÓBVIO! Agora me pergunto: vou ter que pagar para transitar pela marginal? Peraí! E o IPVA? Que eu saiba (a não ser que seja uma completa ignorante) este imposto é para conservação das vias públicas. Ou não? Estou tão enganada assim? E como se não bastasse a fortuna deste imposto o governo anda ganhando uma bela graninha com o combustível no preço que ta. Engraçado... bom para o governo, que fica com uma preocupação a menos, bom para as empresas privadas, que em médio prazo ganharão muito bem, e para a população?
enviada por Menina Jornalista
08/02/2006 16:28
Meninas Jornalistas e os blogs
Essa saiu na Agência Estado hoje. Os web blogs, ou simplesmente blogs, ou ainda diários da internet, crescem numa velocidade de um novo blog por segundo!!! O estudo é do portal de blogs Tecnorati e indica que o número de diários online cresceram 60 vezes nos últimos três anos.
Bom, faço parte desta estatística, pois o Meninas Jornalistas existe há mais de três anos, acompanhando a tendência. Fazemos parte dos 13.7 milhões de blogueiros que continuam postando alguma coisa periodicamente.
Muitos blogs, é verdade, são abandonados em pouco tempo. Este aqui já sofreu baixas. Quando surgiu erámos em seis pessoas, todas estudávamos jornalismo e o montamos por pura diversão. Depois, quando nos formamos, ele virou uma maneira de sabermos uma das outras, mas isso funcionou durante um período bem curto. Isso porque, voltando a minha grande decoberta óbvia e recente de que somos todos egocêntricos, uma montou um blog independente, depois outra, depois outra... Duas simplesmente desencanaram total e sobrou eu e a Juli, que de vez em quando dá o ar da graça por aqui.
Como eu gosto muito deste espaço e mais ainda dos arquivos, que contam um pouco da nossa história, continuo aqui, firme e forte.
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
03/02/2006 09:11
O Hammas e a democracia
(notinha tosca, sobre um assunto sério, postado com atraso. Não tive tempo, pô!)
Estou longe de ser uma ignorante, mesmo sabendo que deles será o reino dos céus e eu adoraria ir para lá se o local for realmente legal como dizem.
Mesmo assim, ainda tenho muito chão a percorrer para entender com amplitude algumas coisas deste mundo, como por exemplo, a democracia.
Lembrando-me do pouco que sei de história, o mundo foi seguidamente dominado por minorias, aplicou a ditadura e o colonialismo, usou e abusou do trabalho escravo às claras e agora disfarçado de liberalismo econômico.
São uma legião de miseráveis, milhares de pessoas na camada média de consumo e uma pequena, quase minúscula parcela dos multi-hiper-super-mega-plus milionários, capazes de viver neste mundo interagindo com outro: mais bem acabado, chique, vazio e irreal, embora divertido e promíscuo.
E, mesmo com tudo isso, continuamos a defender a democracia. O direito de escolha. A vontade popular. Ainda a mesma que preteriu Jesus em favor de Barrabás, utilizando um exemplo antigo. Um mais atual e recente reflexo desta vontade do povo é a vitória absoluta do Hammas na Palestina.
Eleitos democraticamente, defendem tudo aquilo que os principais partidários da democracia condenam: armas, poder exercido pela força, homens-bomba e ataques terroristas. Querem explodir Israel, que todos sejam mulçumanos fanáticos como eles e aprendam desde cedo as regras da guerra. Numa boa, não consigo entender o ser humano. Nem a democracia.
Aí, me pergunto: Qual a racionalidade disso tudo?????
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
02/02/2006 18:03
O insuportável trânsito paulistano
Tem dias que a gente acorda, sai de casa e dá de cara com um trânsito para lá de absurdo. São Paulo, capital do estado mais rico do país, cidade que nada deixa a desejar às principais
metrópoles mundiais, está ficando cada vez mais intrasitável. Antes eu achava que estas considerações eram um pouco exageradas e apocalípticas. Percebo que não.
E depois de chuva? Aí, fica impossível chegar em qualquer lugar. São carros por todos os lados, disputando espaço com caminhões e ônibus, que seguem pela esquerda e cortam todos para pegar o passageiro que aguarda no ponto. Note-se que o ponto fica do lado direito.
Teve acidente? Aí piorou de vez, porque todo mundo quer ver, passa devagar para dar uma
espiadinha, essa tal da curiosidade humana que só serve, nestes casos, para te atrasar
ainda mais.
Justamente nestas horas que eu volto a pensar com carinho e seriedade em uma vida no campo, mais precisamente no meio do mato. Trocar o carro pela carroça, a poluição pelo céu azul, o chuveiro quente pelo gelado, as roupas de cidade por meros vestidinhos de chita. Fazer comida em panela velha, criar galinhas no quintal.
Tudo isso antes que a gripe aviária chegue aqui e destrua meu sonho de ter um galo chamado Zé.
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
27/01/2006 15:19
Anotações perdidas...
Arrumando umas bagunças, ínfimas perto da totalidade da zona em que se transformou minha vida nos últimos tempos, achei estas anotações. Serve de cultura inútil para algum desocupado que aporte por aqui.
"Milhares de escravos de fala yorubá chegaram à Bahia entre 1790-1810"
"Cerca de 10 mil africanos entram no Brasil como escravos ao longo do século XVI, 2 milhões no século XVII, mais 2 milhões no século XVIII, cerca de 1,5 milhão nos últimos 50 anos de tráfico negreiro clandestino"
- Portanto, se alguém se sentir ofendido quando chamado de ô negão!, como vem acontecendo bastante ultimamente, na maior demonstração de racismo às avessas, lembre-se: foram vocês que ergueram este país, com seu trabalho sem paga e o suor de seus rostos.
é isso.
Paulinha
enviada por Menina Jornalista
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